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Cultura

Campina Grande já teve mais de 400 grupos de quadrilhas juninas

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Última atualização 23/06/2026 as 8:47
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4 Min de Leitura
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A cidade de Campina Grande, na Paraíba, referência dos festejos de São João do Brasil, já teve ao longo de sua história mais de 400 grupos de quadrilhas juninas. Atualmente, são cerca de 14 grupos. 

Este é um dos destaques da Pesquisa “As Quadrilhas Juninas do Brasil” realizada pela Quaest em parceria com o Youtube, que fez um diagnóstico inédito sobre o ecossistema das quadrilhas juninas no país, trazendo um recorte especial sobre a realidade do arraial da cidade paraibana.

Foram entrevistados – de maneira presencial e virtual – entre os dias 8 e 21 de maio deste ano, quadrilheiros, quadrilheiras, dirigentes, lideranças, brincantes e demais atores da manifestação cultural. O objetivo era uma radiografia em cinco campos específicos: organização e gestão; modos de financiamento; intersecções sociais; plataformas digitais e estratégias de valorização.

O levantamento também revela que, para além de grupos de dança, símbolo da tradição cultural presente em todos os estados do país, as quadrilhas juninas são movidas pelo protagonismo feminino, pelo acolhimento à diversidade e pelo impacto na juventude periférica.

Das 14 quadrilhas de Campina Grande, seis são presididas por mulheres, mas são as lideranças femininas que sustentam a estrutura financeira, administrativa e artística do movimento junino como um todo. Elas aparecem como fundadoras, coreógrafas e gestoras, e ainda dominam a produção da cultura material e a confecção de figurinos. 

As quadrilhas também funcionam como redes de acolhimento, proteção e protagonismo majoritário da comunidade LGBTQIAPN+, funções de direção criativa, maquiagem e coreografia, além de materializarem avanços históricos no campo social, como a inclusão de damas trans e rainha da diversidade. 

Conforme o estudo, esse pertencimento social é ampliado quando as quadrilhas juninas também são reconhecidas pelos seus brincantes e pela comunidade onde estão inseridas como espaços de convivência, disciplina e de afirmação de identidade; mobilizando principalmente jovens de bairros periféricos e de baixa renda. 

A pesquisa revela ainda que os membros das agremiações juninas vivenciam o São João durante praticamente todo ano. Passado o ciclo de apresentações que já começam em maio, passam por junho e avançam para julho, a temporada seguinte já começa a tomar forma entre agosto e outubro do mesmo ano. Além destes seis meses, outros tantos são utilizados para ensaios, confecção de figurinos, adereços. Da escolha do enredo à costura, esse ciclo permanente mobiliza de 100 a 300 pessoas por grupo, transformando a tradição em uma indústria criativa que funciona durante praticamente todo ano. 

Apesar da geração de empregos, do chamariz como atrativo turístico e econômico e de toda a carga social que representa, a pesquisa mostra os obstáculos para pôr as quadrilhas nos arraiais Brasil afora. O desafio orçamentário é severo. Sem verba estável, as rifas comunitárias são alternativas para a confecção dos figurinos luxuosos. Os repasses públicos chegam geralmente com atraso e as premiações nunca cobrem os custos; muitas lideranças chegam ao fim da temporada junina assumindo dívidas do próprio bolso.

O levantamento completo está disponível no site quaest.com.br.


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